sábado, 21 de novembro de 2009
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
A força e o martírio de viver Joana d'Arc no palco

A TARDE – 2+
05/11/2009
Cena
foto Thiago Teixeira
Teatro: Jussilene Santana encara desafio de protagonizar peça que estréia dia 26
“É uma energia grande dar vida a uma personagem como esta, um enigma estudado pela religião pela história
Jussilene Santana
Protagonista da peça
Eduarda Uzêda
A atmosfera é de tensão, claustrofobia e medo, rodeada
pelo fogo de candeeiros acesos com velas, Joana D’Arc,
acuada, responde as perguntas incisivas de inquisitores vestidos de longos capuzes pretos. Esta é uma das cenas impactantes do espetáculo, Joana D’Arc, que estréia no dia 26, na Sala do Coro do Teatro Castro Alves.
Este, entre outros quadros, foi representado, anteontem, no Forte de Nossa Senhora do Monte do Carmo, Mais conhecido como Forte do Barbalho, onde a diretora da peça, Elisa Mendes, ensaiava com os atores, enquanto se realizava uma sessão de fotografias para a divulgação.
O cenário não estava ainda todo pronto, assim como o figurino, ambos assinados por Zuarte Júnior, mas os intérpretes já usavam algumas peças do vestuário (cores escuras com materiais reciclados) e portavam adereços da montagem.
No centro da trama, a atriz Jussilene Santana (Shopping and Fucking/ Senhora Júlia), que vive o papel-título, encabeça elenco que conta uma história de idealismo e obstinação por justiça, para provocar reflexão sobre problemas atuais.
No local também estavam os atores Carlos Betão, Widoto Áquila, Hamilton Lima, Antônio Fábio, Caio Rodrigo e Jefferson Oliveira, que integram o elenco e defendiam, com entusiasmo, seus papéis.
Metáfora visual
“Os candelabros que circulam Joana trazem ao palco a metáfora visual do fogo, tanto como simbologia de conhecimento quanto de ameaça constante da fogueira da morte”, explica Elisa Mendes, que acrescenta que o projeto resulta de um estudo amplo que realiza desde 2001.
A pesquisa, que se debruça sobre a encenação de dramas com personagens históricos, de acordo com a encenadora, começou naquele ano com a peça A Vida de Galileu (oitava montagem do Núcleo de Teatro do TCA), prosseguimos com Lampião e Maria Bonita (2003/2005).
Agora, tem continuidade com a peça Joana D’Arc, que faz um recorte do personagem em narrativa não linear, enfocando as vitórias e julgamentos de Joana, que morreu queimada.
O projeto teve início em 2006, com texto inédito da dramaturga Cleise Mendes. A autora também fez uma ampla pesquisa do processo que envolveu a heroína francesa. Cleise chegou a consultar autos do interrogatório histórico.
No ensaio, já se pode sentir o martírio de Joana D’Arc, que, a partir dos 13 anos, começou a ouvir as vozes de Santa Catarina, Santa Margarida e São Miguel, exortando-a para libertar a França do domínio inglês.
É muito forte a cena em que é interrogada e torturada pelo promotor Jean d’ Stiver (personagem de Carlos Betão). Jussilene imprime, através do olhar e nas contorções corporais, todo o sofrimento da heroína.
“É uma energia muito grande dar vida a uma personagem como esta, um enigma estudado pela religião, pela história”, afirma a intérprete. Ela diz que fica entregue à figura de Joana D’Arc 24 horas por dia.
“Tenho este papel escabroso de contar o lado podre da igreja”, ressalta Betão em um pequeno intervalo da cena. O ator, que também tem brilhado nos palcos, diz que trabalhar com Elisa “é um luxo”, elogiando a sensibilidade e a inteligência da encenadora baiana.
Insultos
Não faltam insultos à heroína, acusada pelo tribunal inglês de feitiçaria. “Vaqueira, analfabeta, prostituta, transvestida e bruxa francesa”. São com estes termos que o personagem Warwic, o conde inglês, interpretado por Widoto Áquila, se refere à Joana. É ele quem cobra agilidade do processo contra esta, “É um grande manipulador”, entrega, também em intervalo rápido de uma cena. As relações de poder, da autoridade que utiliza a força e a arbitrariedade, a disputa incessante de territórios, assim como o fanatismo, são temas abordados na peça, que permitem a reflexão da realidade contemporânea.
“Não há uma ordem. O público monta a jornada da personagem, exercitando o olhar de espectador”, diz Elisa, que trabalha com paralelismo de tempo, em movimentação realista ou coreografada, que ressalta tanto a realidade quanto o delírio.
Patrocínio
O espetáculo Joana D’Arc arrecadou R$ 90 mil, através do edital Manoel Lopes Pontes de Apoio à Montagem de Espetáculo Teatral. O jornalista Jean Wyllys, Ex-big Brother Brasil e amigo pessoal de Jussilene Santana, também contribuiu com uma verba que possibilitou a montagem do espetáculo.
De acordo com a produtora Virgínia Da Rin, Jean deu cerca de R$ 20 mil para a montagem, o que foi muito útil para bancar os custos iniciais de trabalho de corpo e voz de Jussilene e pesquisa dramatúrgica de Cleise.
“Foi nosso primeiro patrocínio do projeto”, enfatizou, ressaltando também o bom trabalho da equipe. Joana D’Arc, que tem iluminação de Irmã Vidal e trilha sonora de Luciano Bahia, está nos preparativos finais. E, se depender dos atores e da diretora, o público vai aplaudir. Em véspera de estréia, atores ficam nervosos. Jussilene Santana fica calma. “Mas é uma calma de olho de furacão”, brinca. Com uma filha de seis meses e no doutorado de Artes Cênicas, ela sabe mesmo enfrentar as batalhas.
JOANA D’ARC / 26 a 29 DE NOVEMBRO, 20 H E 3, 4, 11, 12, 13, 18, 19 E 20 DE DEZEMBRO, 20 H / SALA DO CORO DO TEATRO CASTRO ALVES (3117-4899) / PÇ. DOIS DE JULHO S/N, CAMPO GRANDE / R$ 20 E R$ 10

Jussilene Santana
“É UM RISCO FECHAR JOANA D’ARC EM UMA ÚNICA LEITURA”
A Atriz e jornalista baiana Jussilene Santana é a protagonista do espetáculo Joana D’Arc, que estréia no dia 26, na Sala do Coro do Teatro Castro Alves. Intérprete talentosa, ela vem marcando a cena teatral com elogiadas atuações. Entre outras peças, Jussilene atuou em Senhorita Júlia e A Mulher sem Pecado (Ewad Hackler), Budro (Tom Carneiro), quando recebeu o Prêmio Braskem de Teatro em 2004 na categoria de melhor atriz, e Shopping and Fucking (Fernando Guerreiro). Dirigida por Elisa Mendes, Jussilene atuou em As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant.
Como foi o trabalho de construção do personagem Joana D’Arc para este espetáculo?
Veja bem, antes de tudo quero dizer que é um grande desafio, para qualquer atriz, representar Joana D’Arc. Fizemos uma pesquisa de corpo, de voz, além de documentos históricos. Lemos muitos livros e peças. É uma personagem complexa. É um risco de fechar Joana em uma única leitura. Entendo que é mais bacana contemplar todas as potencialidades que esta personagem oferece.
Como assim?
Joana não pode ser vista como uma fanática religiosa, como uma líder política, como uma louca. Tem uma relação, sim, com a transcendência. É uma mulher que, entre outras possibilidades, vai à luta por um objetivo. Que vê a necessidade de mudanças.
E quais foram as suas maiores dificuldades no processo?
A questão financeira. Este é um projeto caro, que requer bons profissionais. Os processos, de uma maneira geral, estão cada vez mais enxutos, com poucos atores. Mas esta é um tipo de peça que necessita de uma grande equipe. Não foi concebido para ser um solo, embora eu e Elisa até pensamos nisto em um certo momento, na possibilidade de eu fazer um monólogo.
E em relação à personagem?
Joana D’Arc é uma máquina, com muitos parafusos, muitas engrenagens. E esta engrenagem precisa estar com os parafusos muito bem ajeitados.
É um personagem de alta complexidade, de muitas sutilezas. “Nós precisamos mudar juntos”, é a mensagem que traz. Vivemos em um mundo violento, insensível. Agente perdeu a sensibilidade em relação ao outro. E Joana D’Arc é um retorno ao humano.
Que questões você acha que o texto traz para a contemporaneidade?
Joana vai ser sempre um chamado para se perguntar: Quem somos nós? Quem está lutando com agente? Não é um chamado para a individualidade. É um chamado para a luta de causas coletivas. E é claro que quando se luta em grupo, acontece perdas. As perdas fazem parte para que uma conquista seja possível.
Como está sendo o convívio com o elenco?
Os atores entraram profissionalmente de cabeça neste projeto como verdadeiros soldados. É uma equipe dos sonhos.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Entregue nas mãos de Deo
Ontem foi dia de transformação. Depois de tantos exercícios, leituras e interiorizações, estava chegando a hora de mudar, literalmente, a cara por Joana. E teria que ser o 'corte certeiro'. Afinal, cabelo baixinho só se acerta uma vez. Além disso, tinha a cor: mudar o tom... Todo mundo sabe que estou com uma filhinha pequena e amamentando. Então, como mudar, mexer com tinta, sem interferir em nada disso? A quem poderíamos nos entregar em total confiança nesta difícil tarefa? Deo Carvalho! É claro!
QUEM no teatro baiano não conhece Deo Carvalho? Imagina... Ninguém. Todos nós já nos entregamos deliciosamente em suas mãos de luz violeta. E foi o que fiz ontem, ao lado de Elisa que, claro, dirigiu tudo!
Há sete anos tive que ficar "morena" (ah! que sonho...de cabelos pretos, vá lá) pela primeira vez para fazer a peça Bolero, de Paulo Henrique Alcântara. Uma produção incrível inspirada nos filmes em preto-e-branco do cinema americano da década de 1940. Quando a peça acabou, pedi a Deo que me deixasse loira de novo... Um negócio que deu um trabalho absurdo! Após sete horas de exaustivas tentativas e muitas repreensões de Deo pelas loucuras que havia feito até ali, prometi: "Deo, só você para mudar estes fios novamente!" Dito e feito.
Elisa Mendes

Diretora, nascida em Salvador, doutora em Artes Cênicas. São suas as criações dos seguintes espetáculos: A Vida de Galileu, Na Bagunça do teu coração, Lampião e Maria Bonita e Escola de Mulheres. Joana d'Arc é um projeto que vem articulando há quatro anos com a atriz Jussilene Santana.
Elisa começou a carreira artística ainda criança, na década de 1970, como atriz. Nos anos 1990 iniciou sua trajetória na área de direção, onde podemos destacar os trabalhos como assistente em Dendê e Dengo (direção de Carmen Paternostro), Beijo no Asfalto (direção de Fernando Guerreiro), Conspiração dos Alfaiates e Opera Rei Brasil (Paulo Dourado), dentre muitos outros.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Antonio Fabio
É graduado em Interpretação e Direção Teatral pela Faculdade de Artes Dulcina de Moraes da Fundação Brasileira de Teatro em Brasília e Especialista em Educação e Linguagens Artísticas. Residindo em Salvador desde 2007 atuou como ator nos espetáculos Barrela e Uma mulher vestida de Sol com o grupo de teatro Gente dirigido por Nathan Marreiro; Atuou em Salomé , sob a direção de Amanda Maia, e protagonizou Jeremias, profeta da chuva, a XIV montagem do Núcleo do TCA.
Caio Rodrigo

É graduado em Interpretação Teatral na escola de teatro da UFBA, onde também fez o curso livre de teatro. Integrou o projeto Atuantes em Solos, processo de criação do ator com base no Teatro Essencial, Ministrado por Fábio Vidal. Participou de oficinas com a Cia Dos a Deux, Arlekin TheaterTubingen, Grupo de teatro da Vertigem, Grupo Lume Teatro, dentre outras. Atuou em espetáculos como Murmúrios, com direção de Nehle Franke e Elisa Mendes, Um Bonde Chamado Desejo, Direção de Fernando Guerreiro, Mirandolina, Direção de Hebe Alves, Paraíso [Revisitado], Direção de Leonardo Mineiro, Irmã Dulce, Direção de Deolindo Checucci, Viva o Povo Brasileiro, Direção de Meran Vargens. No cinema, atuou no longa metragem Revoada, de José Humberto.
Carlos Betão

Começou sua carreira entre Ilhéus e Itabuna, através do Projeto Chapéu de Palha, coordenado por Jurema Pena. Depois veio para Salvador onde cedo começou a se destacar nos palco da cidade. Participou de montagens de grande repercussão na cena cultural como Os Iks e O Sonho. Foi diversas vezes indicado a prêmios de atuação (Braskem, ex-Copene), entre estes, pelos espetáculos Baal de Bertolt Brecht, com direção de Harildo Deda,e A Vida de Galileu, também Brecht, com direção de Elisa Mendes. Vale destacar ainda sua atuação na televisão (Marcas da Paixão, novela da Record) e cinema (em filmes como Memórias Póstumas de Brás Cubas, de André Klotzel, e Orquestra de Meninos).
Hamilton Lima
Começou seus estudos em teatro no Colégio Severino Vieira (1971), com o Prof. Anatólio Oliveira. Com o Grupo de Teatro da Escola de Arquitetura (1976/1977) participa das montagens Sonhos & Concretos e Corpo de Prova. Como integrante do Grupo Encontro (1978/1981), com direção de José Carlos Barros, participa das montagens Palavrear-te, Todo Dia é Dia D, A Serpente. Um dos fundadores da Cia. Teatral Avatar, trabalhou como ator e cenógrafo, nos espetáculos Viva o Povo Brasileiro, direção Wagner Salazar, Morangos Mofados, A Tempestade e A Terra de Calibãn, sob a direção de Paulo Atto. Com a Cia. Teatral Avatar participou de festivais e turnes na Colômbia, Equador, Estados Unidos, Portugal, Espanha e Rússia.
Jefferson Oliveira
Ator e coreógrafo, natural de Ilhéus. Iniciou sua carreira em 1992 com o espetáculo infantil As aventuras de um sonho, da Cia Ilheense de Teatro e Música. Ainda na região sul da Bahia foi dirigido por Pedro Matos, Nevolanda Pinheiro, Ecquio Reis e Romualdo Lisboa. Muda-se para Salvador e ingressa no Curso Livre da Ufba em 2004, com a montagem Boca de Ouro, direção de Paulo Cunha. Participou dos espetáculos Ethos (2000), de Tarcicio Neto, A Didática de Baden-Baden, com direção de Fausto Fuzer, e O Trono e o Tempo (2001), de Elisa Mendes. Em 2006, fez parte do elenco de A Casa dos Espectros, espetáculo de formatura do diretor Angelo Flávio; Em 2008, atua em Policarpo Quaresma, XIII montagem do Núcleo do TCA. Está em cartaz com Inteiramente Nu, de Deolindo Checcucci.
Widoto Áquila

É ator formado em interpretação pela Escola de Teatro da Ufba, com vasta experiência na cena baiana. Participou dos espetáculos Macbeth (1996) e Vereda da Salvação (2000), ambos com direção de Harildo Deda, e Boca de Ouro, direção de Fernando Guerreiro. Protagonizou Roberto Zucco(1998), de Nehle Franke e participou ainda dos espetáculos Cuida Bem de Mim (1996 a 1999), de Luiz Marfuz, e O Vôo da Asa Branca (2001), de Deolindo Checcucci. Com direção de Elisa Mendes, atuou em Lampião e Maria Bonita , em 2005. Participou ainda dos curtas-metragens Cães, de Adler Paz e Moacyr Gramacho (2008), e Clemência, de Rita de Cássia e Mateus Vianna (2008) e da minissérie portuguesa Equador, de André Cerqueira (2008).
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Joana D'arc - Start
Levando pela primeira vez aos palcos o texto inédito da dramaturga Cleise Mendes, a atriz Jussilene Santana encabeça na montagem Joana D´Arc uma história de obstinação por justiça para discutir dilemas e contradições do mundo contemporâneo. A peça estréia em 26 de novembro na Sala do Coro do TCA e faz um recorte no período de julgamento da personagem central, que culmina na sua execução na fogueira, e discute o caráter arbitrário em que foram conduzidos os inúmeros interrogatórios, as investigações e a covardia dos expedientes pelos qual esse processo ocorreu. A diretora Elisa Mendes se apodera de todas essas questões para conduzir uma encenação que possibilita a criação de atmosferas distintas, enfatizando a questão da arbitrariedade da trama de poderes como metáfora das relações de poder na sociedade moderna, ainda palco de batalhas geradas por fanatismo, intolerância e obscurantismo. A história de Joana D'Arc e de sua demanda por justiça não é, portanto, estranha às práticas políticas da contemporaneidade. Além de Jussilene Santana no personagem título, a montagem conta com os atores Antônio Fábio, Caio Rodrigo, Carlos Betão, Jefferson Oliveira, Hamilton Lima e Widoto Áquila.
Texto Beto Mettig - Assessoria de Comunicação
Ficha Técnica
Direção: Elisa Mendes
Texto: Cleise Mendes
Elenco: Jussilene Santana, Antônio Fábio, Caio Rodrigo, Carlos Betão, Jefferson Oliveira, Hamilton Lima e Widoto Áquila.
Serviço:
Onde:
Sala do Coro do TCA, sempre às 20h.
Quando:
Novembro: Dias 26, 27, 28 e 29.
Dezembro: Dias 03 e 04 (dentro da programação do Mercado Cultural), e dias 11, 12, 13, 18, 19 e 20.
Quanto:
R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)
Realização:
FUNCEB (Patrocinador), Da Rin Produções Culturais (Produção) e As 3 Produções Culturais (Produção Executiva).
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